Ouço batidas na porta. Deixo os meus afazeres de lado por alguns segundos e me arrasto vagarosamente até a entrada na torcida de que não seja alguma visita. Não que eu não goste de visitas... Mas sabe como é, tenho andando muito ocupada nos últimos dias. Queira me desculpar, mas estou sem tempo para deixar a casa em condições de receber alguém. Dou uma rápida checada, - como eu queria que fosse o carteiro! - porém, alguém de muito mais importância está demonstrando entusiasmo ao solicitar, educadamente, sua entrada.
E agora? Certamente não posso deixar que entre. A casa está uma tremenda bagunça! Como eu me sentiria envergonhada se Ele tomasse conhecimento de como estão as coisas aqui dentro! A indecisão toma conta de mim, e Ele me fita com um olhar interrogativo, à espera de uma resposta. Por fim, cedo. Não seria correto deixá-lo do lado de fora. Sinto o desconforto em cada partícula do meu corpo, até desisto da conhecida frase: ''Não repare a bagunça!", pois ela não fará absolutamente nenhum efeito. Eu sei que Ele já está reparando.
Cada parte da casa está recebendo uma minuciosa análise nesse momento. Em silêncio, espero a repreensão: que não me sobrevém. Atento para Sua face calma e as palavras que saem de seus lábios me surpreendem. Ele apenas diz: "Bom, deixe-me dar um jeito nisso. Alguns minutos e sua casa estará renovada." E então o desconforto me abandona. Eu O conhecia... Sabia que Ele seria o único capaz de limpar toda a extensão do lar. E fazer tudo isso com prazer, com amor. Como pude imaginar que Ele faria algo diferente? Não pude conter minha felicidade, que se expôs em um sorriso imenso. Não fui capaz de demonstrar toda gratidão que senti.
Agora Ele pode habitar em mim.








